Uma pincela sobre a cultura paraense.

O Norte do Brasil é uma região riquíssima em gastronomia, rodeada pela fauna e flora amazônica, apresentando ingredientes ancestrais e extremamente frescos. Não por menos, Pará recebeu, em 2015, o título internacional de Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO.

Em grande parte indígena, a gastronomia paraense ainda reúne influencia portuguesa e africana, que dão um tempero especial aos pratos locais.

Seus ingredientes básicos são compostos por mandioca, camarão, caranguejo, marisco, peixe, aves, pato, além de uma gama incansável de folhas, ervas e frutos.

Açaí:

Se você se entende como um grande apreciador dessa fruta por comê-la com frequência junto com banana, leite em pó, granola, leite condensado (e uma lista extensa de coberturas)…..está muito enganado sobre seu sabor.

No Pará, o maior consumo do açaí se dá em pratos salgados ou simplesmente com açúcar.

Sim, pratos salgados de açaí!

Camarão com açaí.

Mandioca e seus derivados:

A mandioca, como a verdadeira rainha brasileira, mãe da alimentação nacional, alimenta o corpo e a alma desta terra desde muito antes do seu descobrimento pelos colonizadores europeus.

Dela se extrai diversos ingredientes utilizados em quase todos os pratos paraenses, seja como acompanhamento ou parte essencial para o preparo do prato principal.

A Maniçoba é o primeiro exemplo. Também chamada Feijoada Paraense, embora não leve feijão, o ensopado feito com as folhas da mandioca (maniva) e carnes, levando em média sete dias para ficar pronta, a fim de extrair as toxinas presentes na folha. Hoje consegue-se encontrar esse prato também na versão vegetariana.

Maniçoba.

O Chibé (ou Jacuba) é uma preparação tipicamente tupi. A mistura de farinha de mandioca com água pode ser rala (consumida como bebida ou mingau) ou mais encorpada (quase uma tapioca grossa).

Você com certeza já ouviu falar do Tucupi, embora possa não saber do que se trata. Pois bem, ele também é derivado do preparo da mandioca. É um caldo de cor amarela, ácido, extraído da raiz de mandioca brava depois de ralada, espremida, cozida e temperada.

Tucupi. Foto: Flickr - Dwanjos

Pato no Tucupi, portanto, é a carne de pato no caldo de tucupi, geralmente acompanhado de arroz branco e farinha de mandioca.

O Tacacá é outro derivado. Trata-se de uma espécie de sopa vendida em cuias, preparada com tucupi, goma de mandioca e jambu, podendo adicionar camarões.

Tacacá.

Jambu

Folha típica do Norte, responsável por gerar uma sensação de dormência na boca. Poderia ser mais interessante?

É usada tanto em preparações de comidas, como no tucupi, quanto de bebidas, especialmente na cachaça. Além disso, apresenta vários efeitos reconhecidamente benéficos à saúde.

Filhote

É o peixe de rio, típico da região amazônica (mas também encontrado no Tocantins-Araguaia) e, portanto, um dos queridinhos, o mais indicado para se degustar.

Pelo nome, não se imagina que é um peixe de grande porte, chegando a quase 3m de comprimento, considerado o maior peixe de água doce depois do pirarucu!

Pode ser servido de várias maneiras: frito, empanado, cozido ou na brasa. Já deu água na boca, não?

Caruru

Para quem é fã de quiabo, é uma típica mistura indígena e africana.

Feito com quiabo, ingrediente africano, castanha e azeite de dendê, também africano, é servido como acompanhamento. Existem versões que envolvem farinha, fazendo uma espécie de angu, e outras que acrescentam camarão seco.

Quiabo. Foto: Flickr Adriana Fuchter
Caruru. Foto: Flickr - Catarina Leite

Bacuri e Cupuaçu

São frutas muito apreciadas no Norte do país, embora o bacuri também seja encontrado em algumas partes no Nordeste.

Por esse motivo, as sorveterias do Pará estão sempre abastecidas com sorvete de bacuri e cupuaçu, além de outros tantos sabores.

Bacuri. Foto: Roberto Castro (Ministério do Turismo)
Cupuaçu. Foto - Flickr - Anne Lotte

Chocolate

Pará tem conquistado a atenção de produtores de chocolate no país, sendo o principal polo de cultivo de cacau. Pode-se fazer inclusive um passeio pela Ilha do Combu, na qual se pode observar o manejo de vários frutos, como o cacau, pelos ribeirinhos.

Acontece que a produção paraense de chocolate não é feita apenas com o a castanha do cacau, mas também está se utilizando a castanha do cupuaçu para isso, gerando um produto suave e de sabor icônico e inconfundível, embora suave.

Não para por aí, a criatividade paraense faz misturas com outros ingredientes locais, como o chocolate com açaí e tapioca.

Chocolate com açaí e tapioca da Nayah. Foto: Rebeca C. Rocha

Bebias com temperos especiais

Até mesmo na cerveja os paraenses decidiram acrescentar um toque diferente.

A mais famosa cerveja local é a Cerpa, produzida em Belém e conhecida em todo o Brasil. Lá se pode experimentar sabores locais, mais difíceis de serem encontradas fora da região.

Há também cervejarias artesanais que desenvolvem sabores com açaí, taperebá (cajá) e priprioca.

Além disso, tem-se a já mencionada cachaça de jambu, como todos os seus efeitos anestésicos à boca, e o Guaraná Tuchaua, hoje pertencente ao Grupo Coca-Cola.